Viver é melhor que sonhar…(New Delhi é assim)

“Abandone o seu conhecimento, esqueça as suas escrituras, esqueça as suas religiões, suas teologias, suas filosofias. Nasça novamente, torne-se inocente – e a possibilidade estará em suas mãos. Limpe a sua mente de todo conhecimento que não foi descoberto por você mesmo, todo o conhecimento que foi tomado emprestado dos outros, tudo o que veio pela tradição, convenção, tudo o que lhe foi dado pelos outros – pais, professores, universidades. Simplesmente desfaça-se disso. Novamente seja simples, mais uma vez uma criança.”

(Osho)

Vivendo o sonho

Mudar de país e mergulhar em uma cultura completamente diferente da nossa, exige que façamos adaptações numa velocidade extremamente mais rápida que o comum. Às vezes, simples ajustes bastam, mas na maioria das vezes, mudanças bruscas assim nos mostram o quão pequeno somos diante dos acontecimentos desta vida.

Estar em contato com uma cultura de raízes religiosas, com um idioma milenar onde as letras são variações simbólicas do alfabeto sânscrito, é literalmente como nascer de novo. A comunicação em inglês é difícil, nossas acentuações abrasileiradas não se parecem em nada com o inglês pronunciado pelos indianos. Você é forçado a tentar de tudo para se fazer ser entendido. Você faz gestos, usa o Google tradutor, faz mímica, e quando isto tudo não basta, recorre ao papel e caneta para desenhar.

Coisas simples podem te prejudicar. Um simples gesto, uma simples palavra traduzida ou entendida de forma errada podem te colocar dentro de grandes encrencas. Comunicação é tudo!

O mundo fora do nosso país é literalmente um novo mundo. Ele não é carinhoso ou ameno com você só porque você é estrangeiro (a). As pessoas de bom coração, de boa conduta irão te ajudar, mas se não tomar cuidado, as pessoas com más intenções puxarão seu tapete se passando por pessoas boas. Elas irão se aproximar de você, e se aproveitarão desta sua vulnerabilidade “momentânea”.

Eu digo “Momentânea”, pois é impressionante como nos adaptamos rápido. Mas, tudo é parte de um processo. Fora de casa, somo como um bebê recém-nascido. É preciso negar tudo, e reaprender.

Nós reaprendemos a melhor forma sobre como devemos nos comunicar, como devemos nos comportar, quais são as melhores maneiras para (e por onde) se locomover e depois de alguns dias imersos nesta nova dimensão, você começa a celebrar pequenas vitórias. São pequenos desafios diários, coisas que normalmente no seu país de origem você não celebraria. Coisas simples, mas de um valor grandioso para a sua felicidade. Você volta a acreditar em você, e descobre o quão forte você pode ser.

New Delhi – Uma infinidade de cores, um paraíso de sabores.

Capital do país, a cidade de New Delhi está localizada ao norte da Índia.

Poeira no asfalto, nos tetos e nos capôs dos carros. Há terra nos pneus das motocicletas, nos Rikeshaws (Riquixás), nos Tuk-Tuks e também nas solas dos meus sapatos.

Vestindo suas tradicionais (e não tão tradicionais) roupas coloridas, mulheres, homens, idosos, adolescentes e crianças, dividem os espaços das ruas com os carros, as motocicletas, animais em geral e as vacas (que por incrível que pareça, só ví uma única vaca… Mas elas estão lá, simmmmmmmmmmm elas estão).

Há alguns relatos de turistas na internet fazendo reclamações; dizendo que o cheiro das ruas de New Delhi é muito ruim. Há alguns vídeos em que esses turistas dizem que por onde se anda, pode-se sentir cheiro de lentilha e de massala (tempero indiano).

Obviamente, há lugares em que esta vastidão de odores é sim muito forte. Como paulista que sou, posso explicar melhor fazendo uma comparação bastante simples. Imagine que você está caminhando pelas ruas do centro de uma grande cidade, como quando você (que é paulista ou paulistano) caminha pelas ruas do Centro da Cidade de São Paulo – SP, por exemplo. Nos arredores do local onde você se encontra (nesta situação hipotética) há vários estabelecimentos preparando as mais diversificadas possibilidades de refeições. Nas proximidades, dezenas de lojas vendem seus produtos; há pessoas que falam em volume extremamente alto, competindo com as buzinas e com os barulhos da cidade. Algumas pessoas caminham muito apressadamente, enquanto outras caminham na velocidade de uma tartaruga manca. É isso, sem segredos!. New Delhi é assim!.

Mas, se New Delhi é igual a qualquer outra grande metrópole do mundo, o que faz dela uma cidade tão especial?

Dentro de toda esta normalidade (ou desta anormalidade; para aqueles que ainda não se acostumaram com a vida dentro das grandes cidades), todo o caos urbano descrito acima não traz em si novidade alguma em comparação a outras grandes cidades. Mas, quando se está aberto a enxergar com os olhos de um aprendiz, de alguém que está visitando a cidade de forma aberta à sensibilidade, e com o desejo de visitar a própria alma, certamente não haverá cheiro ruim ou caos urbano que te impeça  de aprender as grandes lições desta vida, e de descobrir belezas vindas da lama.

Nos dias de hoje, New Delhi é considerada a segunda maior cidade do mundo, ficando atrás apenas da cidade de Tóquio no Japão. Segundo dados estatísticos, a população de New Delhi pode crescer ainda mais.

Caso os tais “dados estatísticos” estejam certos, New Delhi pode passar de segundo para o primeiro lugar. Ou seja, pode se tornar a cidade com a maior população do mundo até o ano de 2050.

Eu nasci e cresci na cidade de São Paulo. Foram trinta e um anos vivendo dentro nesta loucura de cidade. Portanto, antes que você ache cansativo, ou repetitivo ter que ler eu citando tantas vezes a minha cidade natal, peço que por favor entenda que está é a maior (e também a única) referência que eu posso te dar com propriedade.

Para você que também é morador de São Paulo, será fácil criar estas imagens em sua mente. Certamente, você conseguirá entender tudo com muita clareza.

Embora existam diferenças gritantes, as semelhanças entre elas são maravilhosamente incríveis. New Delhi é quase que um pedacinho de casa há 14.000 km do Brasil.  

Caso você seja morador de outra grande metrópole, eu te faço um convite/desafio: Conheça o centro de São Paulo, e se possível um dia viaje para New Delhi. Você vai lembrar de mim!.

Nós brasileiros, estamos acostumados com o clima tropical do nosso país. Isto é, estamos familiarizados com um inverno completamente confuso; com dias que começam com temperaturas congelantes, e por ser tão frio fazem com que passemos parte do dia batendo o queixo.

Às vezes, temos que sair às ruas com mais de duas ou três blusas, e no final da tarde, somos surpreendidos por uma onda de calor insuportável.

Para os paulistas e paulistanos, a coisa é ainda mais louca. Quando me perguntam como é o clima na cidade de São Paulo, eu costumo dizer que quem mora nesta cidade precisa sair de casa preparado para enfrentar as quatro estações do ano (primavera, verão, outono e inverno) em um único dia. E vale lembrar que, esta mesma pessoa também precisará andar pelas ruas com bolsa ou mochila, pois quando a temperatura subir será necessário começar a remover as suas peças de roupas, (parecendo uma cebola cheia de camadas) e depois guardá-las; tudo isto porque os passageiros do transporte público da cidade reclamam muito quando andamos com grandes volumes nas mãos.

Antes de seguirmos, gostaria de lembrar que no Brasil, há estados que não conhecem baixas temperaturas.

No caso de New Delhi, a questão da temperatura é ainda mais intensa. E não pense que é exagero da minha parte não. Quando digo que a coisa é intensa, quero dizer que a temperatura em New Delhi pode te fazer congelar ou derreter, tudo depende da época do ano em que você faz esta visita.

O ar de New Delhi é seco e a poluição é grande. Ao longo do ano a temperatura pode variar entre 8ºC e 43ºC. No entanto, sortuda como eu sou, quando desembarquei do avião, os termômetros marcavam apenas 4ºC.

As riquezas de New Delhi

New Delhi abriga entre as belíssimas arquiteturas modernas, ótimas opções de áreas verdes, além de templos grandiosos (Hindus, Islãmicos, Sikhs, Budistas e Jainistas).

Uma das grandes curiosidades, é que você poderá encontrar dentro destes templos detalhes riquíssimos esculpidos à mão, sejam eles em peças pequenas ou em paredes inteiras. Falamos de detalhes que foram e estão esculpidos em muros com larguras maiores que as de campos de futebol.

Em New Delhi, você também irá se deparar com itens arqueológicos de diferentes civilizações; como monumentos herdados pela colonização britânica e também com algumas ruínas sobreviventes de antigos Impérios (Mogol, Árabe, Sikh e Europeu).

O que visitar em New Delhi

Há muitas opções interessantes de lugares a serem visitados. Eu dividirei com vocês aqui no blog um pouco sobre todos os lugares que visitei. Além de também compartilhar dicas sobre os lugares que ainda não fui, mas irei em breve.

Mas atenção, dentro de muitos desses lugares é proibido a utilização de aparelhos celulares e câmeras. Ou seja, sabe aquela “selfie” que você planejou tirar e postar nas redes sociais? Esqueça!. Ou melhor, contente-se em tirar esta foto apenas do lado de fora.

O que acontece com você, aquilo que você vê do lado de dentro se torna parte da sua memória, e se alguém quiser saber como foi a visita lá dentro, deverá estar aberto à te ouvir e a enxergar com os seus olhos.

Bom, eu sou o tipo de pessoa que adora tirar “selfies”, e diante destas “regras”, também tive meus planos modificados várias vezes.

No começo a gente estranha, não entende. Mas conversando com o Bharat (meu noivo), que é um indiano com uma visão incrivelmente sábia e ampla das coisas, tudo ficou mais claro.

Na sua interpretação (muito bem enraizada e entendível de sua cultura), Bharat defende que, “Quando lugares como estão abertos à visitação, não significa que você deve apenas passar por este lugar, tirar suas fotos e fim. Muito pelo contrário, o convite é mais profundo. Lugares como estes pedem que visitemos a nós mesmos enquanto os visitamos”.

Ou seja, estes monumentos e templos carregam dentro de si a história, a mitologia, e boa parte do conhecimento, cultura e filosofia de vida de um povo, no caso a filosofia hindu. Não são meros lugares de visitação, são lugares que se você visitar estando aberto. E fatalmente, você poderá sair de lá transformado.

Eles estão lá protegidos pelo povo, pela sua cultura há anos, e seguem nos ensinando apenas pelo simples fato de ainda existirem. Portanto, é importante que toda esta troca seja feita em sintonia com uma reciprocidade verdadeira. Eu acredito que você concordará comigo se eu te disser que, isto é coisa que impossível de se fazer com um celular nas mãos.

“Quanto mais profundo você vai dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você”.

(Osho)

Aquilo que fazemos em vida, ecoa na eternidade. Pergunte a você mesmo, o que você tem feito para se tornar imortal?

Não se engane! Os acontecimentos desta vida nos atravessam para nos ensinarem como podemos ser pessoas melhores. Não as são as nossas fotos que farão de nós uma pessoa mais amada, ou a pessoa com mais amigos e seguidores. Mais importante que tudo isto é a nossa essência enquanto ser humano.

De forma muito humilde posso assumir que, embora eu fale sobre profundidade, ainda falta muita profundidade em mim.

Precisamos entender melhor o nosso lado de dentro, pois só assim será possível viver intensamente e os verdadeiros presentes que a vida nos dá.

Existe Old Delhi?

Sim, nós temos Nova Delhi e Velha Delhi. Ambas ficam no mesmo estado, e adivinhem qual é o nome deste estado… DELHI!!!.

Se New Delhi foi descrita acima como uma cidade parecida o centro da cidade de São Paulo, Old Delhi pode ser comparada à região da rua 25 de Março em épocas de compras de Natal e Carnaval juntas.

Sem exagero algum, pense em todas as descrições dadas sobre New Delhi, multiplique por 10 vezes mais tudo aquilo que você imaginou quando leu os detalhes sobre: gente caminhando pelas ruas, pessoas falando alto, os cheiros disso e daquilo, comidas sendo preparadas nas esquinas, motocicletas, lojas e mais lojas. E, para finalizar, revire todas as suas memórias sobre as ruas nas proximidades do Terminal Pq. Dom Pedro II. Pronto, agora sim você tem a descrição perfeita de Old Delhi.

Caminhando com Tarun Sharma pela famosa região da Chandini Chowk, confesso que demorei alguns minutos para entender tudo o que acontecia por lá.

Pela primeira vez eu senti medo, mas não era medo de ser assaltada (porque eu estava acompanhada pelo meu cunhado), mas eu senti medo de me perder dele no meio daquela multidão toda.

Por diversas vezes eu fui abordada por crianças, moradores de rua e por pessoas em condições de pobreza extrema, assim como ambulantes, vendedores dos mais variados tipos de produtos.

Depois de muito repetir para todos eles: “Não quero… não tenho”. Fui orientada pelo Tarun, que em suas sábias palavras me disse: “Motto (a forma carinhosa que ele e meu noivo me chamam), não tente ser educada. Seja bruta! Aqui é uma selva, apenas ande”.  

Old Delhi, é a região perfeita para quem quer fazer compras de lembrancinhas para parentes no Brasil. Lá, você poderá comprar em preços bastante atrativos os trajes típicos indianos (como os famosos saris que as mulheres usam), incensos, temperos, enfeites para casa, antiguidades e eletrônicos.

É preciso ir preparado. Todo cuidado é pouco. Há uma infinidade de “gatos” nos fios de energia elétricas, muitas e muitas poças d’água, e se você reparar bem no chão, poderá encontrar até mesmo fezes (humanas e de animais) pelo caminho. Por isso, sugiro que usem sapatos fechados e que as mulheres cubram bem o colo, pois por termos o biótipo físico diferenciado, os homens olham mesmo (mesmo estando acompanhada, dão seu jeito de olhar).

Mas não se assuste, nesta região há também belos monumentos. Lugares que valem muito a pena serem visitados.

Red Fort (Forte Vermelho)

Construído em 1638, o Red Fort é hoje um monumento reconhecido pela UNESCO como um dos Patrimônios da Humanidade.

Ele foi batizado com este nome exatamente por ser formado por enormes muralhas de arenito vermelho.

Para se proteger de possíveis invasores, o Imperador Mogol Shah Jahan (o mesmo que mandou construir o MARAVILHOSO Taj Mahal), deu ordens para que as paredes fossem bem altas. Algumas delas medem cerca de 33 metros de altura.

Do lado de dentro das grandes muralhas, o visitante pode encontrar: Construções com decorações florais, cúpulas duplas, esculturas, artes que ilustram a arquitetura mogol e o múseo do Memorial de Guerra Indiano (uma homenagem aos soldados indianos que participaram da Primeira Guerra Mundial, em nome dos britânicos).                

Há outros fortes construídos na Índia e por se tratarem de um local de visitação turística, a entrada não é gratuita.

A Volta para casa e a pausa para o lanche – Comida de Rua

Embora eu possa descrever as deliciosas e exóticas comidas de rua de New Delhi, acredito que chegou a hora de compartilhar algo que exemplifique com mais clareza. E vocês devem concordar que, há muita diferença entre ler sobre comida e ver comida. Portanto, convido vocês à assistirem ao vídeo abaixo.

            Fico muito, muito, muito feliz que tenha lido até aqui. Como dito nos posts anteriores, criei este blog não apenas para falar sobre a minha experiência de viajar e querer viver na Índia, mas a ideia disto tudo se baseia em utilizar desta busca espiritual e dos relados desta viagem para ajudar outras pessoas por meio das minhas palavras. Então, peço que por gentileza você compartilhe este, ou até mesmo outros posts deste blog com os seus amigos e familiares.

Ah, e não vá embora sem deixar seu comentário.

A casa é sua!. Faça perguntas, sugira temas, será um prazer para mim ter sua presença aqui sempre.

Namaste e que novos caminhos de luz se abram em sua vida!

Publicado por lailasharmabs

In search of light, inner peace!

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