Cruzando oceanos

“Life Begins where fear ends.” (0sho)

“A vida começa quando o medo acaba.” (Osho)

Brasil e Índia estão separados por dois oceanos, um continente e um trajeto aéreo de aproximadamente 24 horas de voo. Tenho medo de muitas horas no ar, e acredito que devido a distância não exista nenhum voo direto, assim sendo, minha conexão foi realizada no aeroporto de Addis Ababa (Etiópia).

Esta foi a minha primeira viagem falando inglês. A primeira viagem para tão, tão distante, e também a primeira viagem sozinha. Quando sai do aeroporto internacional de Guarulhos (São Paulo – Brasil) ainda me sentia confortável, pois podia ouvir os demais passageiros falando em português. A ficha só caiu quando realizei a conexão na Etiópia. Preciso confessar que senti dentro de um filme, para ser sincera me senti em “Um príncipe em Nova York”, isto porque neste aeroporto todas as pessoas “locais” estavam vestidas como os personagens do filme, roupas de pele de animais e adereços afro. Neste momento, tive a dimensão de como seria o futuro da viagem, ninguém mais falava meu idioma, era hora de me virar com o inglês aprendido aqui no Brasil.

Devido as condições ruins de tempo, meu voo com destino a esta conexão saiu com o atraso de duas horas da cidade de São Paulo, ou seja, uma conexão que deveria durar aproximadamente quatro horas, durou apenas duas. Para mim foi ótimo, pois estava ansiosa demais, não via a hora de pisar meus pés no solo sagrado indiano.

Após a conexão, voei por mais aproximadamente dez horas entre Addis Ababa (Etiópia) até chegar em New Delhi.

Descabelada, cansada, mais ainda assim ansiosa. O coração não se aguentava dentro do peito, até que em inglês eu pude entender quando anunciaram nos dispositivos de áudio do avião: “Recebemos autorização para pousar”. Manhã de 28 de Dezembro de 2019, cheguei!!!

Laila Sharma – (Personal Memories) / December, 27th – 2019 – Addis Ababa (Ethiopian) and December, 28th -New Delhi (India) 2019.

Após pegar as malas na esteira, o plano seguia como combinado, o que eu não contava era com as diferenças entre as regras aeroportuárias. Para conseguir a comunicação com a família que me aguardava foi difícil. Difícil porque dentro do aeroporto eu tinha apenas duas opções para conectar com o sinal de wi-fi disponível. A primeira opção era tentar logar na rede e conseguir o sinal de forma gratuita, no entanto, para logar no sistema, eu precisava inserir o número de um telefone local, e em seguida para concluir o cadastro eles encaminhariam um SMS para este mesmo número. O problema era, eu não tinha este chip em meu celular, sendo assim, como eu poderia receber o tal código? Ou melhor, como alguém poderia me ligar para passar este código sendo que meu celular estava sem rede por estar em outro país?… Arrastando a mala comigo, caminhei até um guichê de ajuda e neste guichê um funcionário me passou a senha milagrosa, finalmente consegui me conectar com o mundo ainda dentro do aeroporto.

Separação de Idiomas falados na Índia.

Ao passar pelo departamento de vistos, o choque linguístico mais uma vez se fez presente, na verdade este assunto revela mais uma curiosidade sobre a cultura indiana.

Este mapa ao lado não nos mostra os estados indianos, mas sim qual os idiomas falados nestas áreas coloridas, e como vocês podem ver, são muitos!!!

Nem todas as pessoas falam inglês, os cidadãos mais idosos por exemplo, podem até saber uma palavra ou outra, mas não se comunicam usando este idioma.

A acentuação das palavras, o sotaque é diferente do que aprendemos nas escolas de idiomas, precisei pedir para que o policial federal que conferia meus documentos repetisse para mim as informações e suas perguntas umas duas vezes, precisei também prestar bastante atenção, coisa que com o passar dos dias acabou tornando-se natural aos meus ouvidos.

Agora com autorização para sair do aeroporto, me restava a opção de esperar pela família que me adotou como membro na realização deste sonho, eu só não contava com a perda do sinal de wi-fi na saída do portão de desembarque e com a proibição das autoridades que me impediam de entrar novamente dentro das dependências do aeroporto, mesmo que meu objetivo fosse de apenas enviar as mensagens via whatsapp. Acontece que a Índia se localiza na divisa com o Paquistão (que na verdade já foi território indiano, sendo separado apenas quando a Índia fez-se independente da Inglaterra) e as ameaças de atentados terroristas são constantes, portanto, é extremamente cauteloso por parte dos indianos a entrada e saída de qualquer indivíduo seja isto em shoppings, aeroportos, templos e também em estações de metrô e de trem.

Nos olhares das pessoas do lado de fora do portão de desembarque eu procurava pelo rosto da minha nova família. Para aqueles que acham que na Índia não faz frio, acreditem, faz!. A temperatura de 4°C me fazia “bater o queixo”. As buzinas enlouquecidas e incansáveis não paravam, podiam ser ouvidas de longe, mulheres usando roupas coloridas, homens barbados, e crianças caminhando para lá e para cá. Neste momento tive a convicção: Meu sonho começa agora! O portal estava aberto, e eu pronta para entrar neste ciclo de felicidade e amadurecimento…

Do outro lado do mundo encontrei vida e sentido para a minha vida, do outro lado do mundo encontrei cores e sabores e entre as pessoas, encontrei a voz que me chamava pelo nome.

“Namaste, Laila! Welcome to India”

Laila Sharma (Personal Memories) December, 27th – 2019 / Guarulhos – SP (Brazil)

Publicado por lailasharmabs

In search of light, inner peace!

2 comentários em “Cruzando oceanos

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