Distinguir-se

“Eu quero mudar você – Isso não é uma revolução. / Eu estou disposto a mudar – Agora isso é uma revolução”.

(Sadhguru)

Convite

Convidar – Solicitar presença. Convocação que se faz a alguém para que esta pessoa compareça, esteja presente ou participe de alguma coisa.

Há inúmeras formas de convidar ou de ser convidado por alguém. Às vezes, os convites chegam até nós de forma direta; inesperada; surpreendente. Em alguns casos, podem parecer ofensivos ou cheios de más intenções, mas ainda assim são considerados “Convites”.

A ação seguinte ao ato de convidar alguém só é válida quando o convite é “aceito”. Ou seja, só se descobre o que acontece a seguir quando se responde “Sim” ao convite, caso contrário, tudo não passará de imaginação, expectativa.

Quando comecei a organizar meus pensamentos para escrever este post, dei uma lida em todas as postagens anteriores aqui no blog (Caso você ainda não tenha feito isto, recomendo que faça!). E preciso confessar que sinto que chegou a hora de avançarmos.

Entenda que, não falo apenas sobre avançarmos nas narrações dos acontecimentos incrivelmente maravilhosos em New Delhi (Índia), mas sim em nos aprofundarmos um pouco mais em nossas reflexões.

Quero te oferecer condições diferenciadas para se revisitar, para se reencontrar, ou até mesmo de fazer as pazes com esta pessoa que vive dentro do seu corpo, o seu verdadeiro eu. Como caminho para isto, te ofereço minhas palavras e a história dos desafios pelos quais tive que passar para que eu pudesse mudar quem eu costumava ser e assim começar a construir um futuro melhor, já que ainda tenho tempo nesta minha passagem pela vida.

Bom, agora que chegamos até aqui, te convido a deixar de lado as suas opiniões formadas sobre tudo o que é relativo à Índia e ao Brasil, e à começar olhar para dentro de si.

Eu sei que você deve estar pensando: “Desta vez a Laila realmente ficou louca!”. E pode até ser que eu não tenha muita sanidade mental, mas confie em mim, vai valer a pena. Esta proposta também já foi aceita por mim, e eu sobrevivi, não foi?

Então se deixe levar pelas reflexões deste post, e esteja preparado para enfrentar a si mesmo.


Lar / Casa

Local onde há harmonia / Local onde as pessoas se sentem bem.

Quando mudamos de uma casa para outra, nós estamos literalmente apenas mudando de casa. Mudando de espaço. O Lar só é considerado lar por conta da harmonia entre as pessoas que vivem dentro desta casa.

Viver e morar no Brasil, na Índia ou em qualquer outro país de origem é extremamente confortável ao cidadão nativo deste lugar. Primeiro, por que se trata da própria terra natal. Segundo, porque dominamos o idioma. Mas, o principalmente porque se trata da nossa casa, e a nossa casa é a nossa zona de conforto.

O problema disto é que a zona de conforto nos cega!.

E por mais que tenhamos nossos questionamentos, nossas inquietações, dentro desta área cega estamos seguros de certa forma. Sem tanta vulnerabilidade, sem correr riscos desconhecidos. Conhecemos esta área muito bem, ou pelo menos conhecemos o básico que nos mantém protegidos.

Nossos países são como as nossas casas, e como disse lá em cima, isto não quer dizer que são nossos lares. No final de tudo, pouco importa a sua nacionalidade, há problemas dentro de todas as casas.

Mas afinal, qual a razão destes problemas?

Pedi para que meus amigos (e seus amigos), e e também aos meus familiares (Brasileiros e indianos) que completassem estas duas seguintes frases para mim:

“Quando penso no Brasil, penso em…” e “Quando penso na Índia, penso em…”

Fiz este pedido, porque eu gostaria de saber o que brasileiros e indianos pensam sobre seu próprio país e sobre o país do outro.

Bom, o resultado foi:

“Quando penso no Brasil, penso em…”: Samba, sol, praia, mulheres, animação, alegria, floresta, futebol, mulheres nuas ou quase nuas, mulheres fáceis (ou com a mente aberta), carnaval, diversão, injustiça social, preconceito, mulheres, futebol, caos político, ladrões, Bolsonaro,  resiliência, país maltratado, tomar sol usando biquíni no telhado, baile funk, riquezas naturais, riquezas culturais, bola,  clima tropical, povo explorado, mulher com roupas curtas, povo feliz, brasileiro que se acha europeu, pessoas calorosas e receptivas, indígenas, povo negro, desrespeito, amor, São Paulo, Fake News, Feijoada, Biquini, Mulheres de Biquini, Praias de Nudismo, Neymar.

“Quando penso na Índia, penso em…”: Cultura diferente, danças, músicas, bollywood,  hinduísmo, budismo, muçulmanos, deuses e deusas, país único, temperos, especiarias, vegetarianismo, segunda maior população do mundo, carros, trânsito, Chai, Mistura de tudo junto ao mesmo tempo, pessoas e vacas nas ruas, Gurus bons e Gurus ruins, Lentilha, monumentos maravilhosos, desigualdade, lugares de miséria, rio sagrado (Ganges), cidades sagradas, lendas, roupas coloridas, mulheres cobertas, alegria, respeito, alma, tradições, New Delhi, Festivais religiosos, pimenta, masala, cricket, orgulho das produções culturais (nossa música, nossos filmes, nossas comidas, nossa agricultura, nossas produções), orgulho da História, nacionalismo (“Estados Unidos”? Estão mesmo dividindo o mesmo planeta que a minha Índia?).

Eu acho que que agora vocês devem estar se perguntando: Qual a razão de algumas palavras terem se repetido?. Antes que eu responda, lembrem-se de que; as palavras acima não foram ditas por mim; mas, que de alguma forma elas representam uma espécie de senso comum com base nas respostas de amigos e familiares (brasileiros e indianos).

Agora fazendo uma analise simples sobre isto; notaram que tanto para brasileiros quanto para os indianos a Índia se resume em“espiritualidade” (elevação da alma), enquanto que o Brasil se resume em “Futebol, Mulheres e Diversão”.

Ou seja, enquanto a Índia representa um “Templo Sagrado”, pergunto-me: Como pode o povo brasileiro não se incomodar com a fama de “Casa da Bagunça?”. Para os homens brasileiros, a “fama do futebol”, para a mulher brasileira, a fama de “mulher fácil”, “vulgar”, “safada”, “prostituta”.

Reflitam, ok? Então, vamos continuar.


Templo de Lótus (Lotus Temple – New Delhi)

Religião vem do termo “religare” – o homem estava separado de Deus e, uma vez reconhecendo seu pecado, precisava de algo que o ligasse novamente a Deus – Que o Religasse. Daí o termo “Religião”.

Espiritualidade é tudo aquilo capaz de produzir em mim, uma mudança de pensamento, atitudes e conceitos. Aquilo que me coloca em um novo rumo e me oferece um novo sentido para a vida.

(Bíblia – Lc 10, 25-37).

Além do Hinduísmo, a religiosidade indiana abrange também o Islamismo, Cristianismo, Budismo, Sikhismo e o Jainismo.

Basta desembarcar do avião e caminhar pelos corredores do aeroporto Indira Gandhi (em New Delhi) para começarmos a ter os primeiros contatos com esculturas e imagens das divindades hindus. A relação de respeito dos indianos com as divindades é fantasticamente encantadora.

Dentro das casas, nos comércios, nos shoppings; praticamente em todo lugar é possível encontrar estátuas grandes, miniaturas, adesivos, e dentro da minha família temos até mesmo tatuagens com frases dos mantras sagrados.

Tarun’s Shiva Tattoo – Originalmente escrito em sânscrito, o “Mahamrityunjaya Mantra” (o grande mantra que ajuda a vencer as doenças e a morte), conhecido também como “Tryambakam Mantra”, um dos mais sagrados e poderosos mantras dedicados ao Senhor Shiva, é um verso do Rigveda, também citado no Yajurveda.
Bharat’s Hanuman Tattoo – “Om Sri Hanumate Namaha
Que pode ser traduzido como: “Saudações ao prana consciente.” Recitar este mantra para obter força física, resistência e poder. … Que pode ser traduzido como: “Vitória ao invencível Hanuman.” “Vitória ao prana em seu curso evolutivo, que fortalece a vontade através do chacra da garganta.”

Bharat Sharma e eu decidimos que neste dia visitaríamos o Lótus temple (Templo de Lótus – New Delhi). Eu já havia escutado alguns elogios sobre a sua arquitetura, mas não fazia ideia de como era o seu interior.

Atravessamos as ruas da cidade em sua motocicleta. O sol brilhava, mas não o suficiente para aquecer este dia de inverno indiano.

As pétalas da gigantesca Flor de Lótus podem ser vistas de longe.

O templo de Lótus é uma das oito Casas de Adoração Baha’is espalhadas pelo mundo, e embora cada uma delas tenha um formato diferente, todas elas possuem nove lados e um domo central.

“…Com relação ao significado do número nove: sua importância como símbolo usado tantas vezes em várias conexões pelos crentes está em três fatos: Primeiro, simboliza as nove grandes religiões do mundo das quais temos algum conhecimento histórico definido, incluindo os Babi. e revelações bahá’ís. Segundo, representa o número de perfeição, sendo o número único mais alto; Terceiro, é o valor numérico da palavra ‘Bahá’i...  “Número nove, que por si só é o número da perfeição, é considerado sagrado pelos bahá’ís, porque simboliza a perfeição da Revelação bahá’í, que constitui a nona religião na linha das religiões existentes.

Luzes de orientação, De uma carta escrita em nome de Shoghi Effendi a um crente individualmente, 9 de julho de 1939 / Diretrizes do Guardian, Shoghi Effendi, edição de 1973, p. 87 .
Lotus Temple - New Delhi (India)
Lotus Temple – New Delhi (India)

O propósito de todas as oito casas de adoração é o mesmo em qualquer dos oito países onde estão instaladas (Alemanha, Austrália, Chile, Estados Unidos, índia, Israel, Panamá, Samoa, Uganda). Elas estão abertas à todas as pessoas como um lugar reservado à meditação e oração, independente da religião ou das crenças de seus frequentadores.

Por serem amplamente abrangentes à diversos públicos, como regra principal, em todos os templos é extremamente proibido que os frequentadores façam qualquer tipo de pregação, sermão ou culto. Ou seja, é permitido apelas as leituras das consideradas escrituras sagradas de qualquer religião ou crença desde que a mesma não seja enfatizada para a conversão ou o desmerecimento de nenhuma forma de fé. Trata-se de uma casa de iluminação, um encontro entre a luz do sol e a luz do seu eu espiritual.

Os princípios da Fé Baha’i são:

  • A Unicidade da humanidade
  • A Investigação independente da verdade
  • A origem comum de todas as religiões
  • A Harmonia essencial entre ciência e religião
  • A Igualdade entre homem e mulher
  • A Erradicação do preconceito de todos os tipos
  • A Educação Universal Obrigatória
  • A Paz Universal
  • A abolição dos extremos de pobreza e riqueza
Laila Sharma e Bharat Sharma – Lotus Temple (New Delhi)

Flor de Lótus

Da lama ao caos. Do caos à pureza.

No simbolismo budista, o significado mais importante da flor de lótus é pureza do corpo e da mente. A água lodosa que acolhe a planta é associada ao apego e aos desejos carnais, e a flor imaculada que desabrocha sobre a água em busca de luz é a promessa de pureza e elevação espiritual.

A minha jornada em busca de respostas começou no Brasil e cresceu dentro de mim por longos 31 anos.

Eu ouvi meu chamado e precisei atravessar 2 oceanos para descobrir a razão disso tudo.

Nenhuma casa consegue se manter de pé quando há problemas em sua base, assim como nenhuma árvore é saudável se suas raízes estiverem apodrecidas. E eu estava desmoronando por dentro e por fora.

A boa noticia é que, não é preciso demolir a casa, tão pouco matar a árvore. Você pode salvar esta estrutura, mas precisa saber que mover paredes e cortar raízes não é um processo fácil. E, para falar a verdade, é um processo extremamente doloroso, mas o alívio que vem depois é compensador.

Quando vim para a Índia trouxe comigo toda a minha história. Os erros e acertos de toda uma vida embarcaram comigo naquele avião.

“Minha terra tem palmeiras, onde canta o sábia…” e pouco conhecemos o seu canto. Estamos mais interessados em carnaval e futebol que pouco sabemos sobre a nossa terra, e o pior, pouco sabemos quem somos.

Cometi erros, e assim como muitos brasileiros, utilizei da minha nacionalidade para justificá-los, ou pior, para naturalizá-los. Errei como brasileira, errei como mulher, errei como ser humano.

A dor da decepção causada por si próprio é sem dúvida uma das dores mais insuportáveis que existe e talvez por saber disto eu demorei tanto tempo para me encarar e aceitar a minha responsabilidade de tudo.

Como dito no post anterior, a mudança aconteceu por mim, mas fui a última a perceber que era hora de começar a mudar. O cuidado veio a mim por olhos mais sensíveis que os meus naquela época.

Sim, o amor também chega até nós em forma de cuidado. A sugestão de Bharat Sharma para que eu conversasse com o meu interior, e a confirmação disto por meio da minha amiga Mariana (que praticamente no mesmo dia me convidou para praticar Yoga), foi sem dúvida alguma a manifestação da certeza de que o universo desejava este meu despertar.

Toda a sensibilidade, amor e cuidado de Bharat Sharma por mim me apresentou caminhos, e confesso que nem sempre foram fáceis de se caminhar, nem por mim, tão pouco por ele, mas toda a sua coragem e sabedoria me fizeram confiar em mim mesma e por isso me lancei.

Toda esta atmosfera mágica, me fez desejar trilhar esta busca pela limpeza espiritual. Entenda que, eu nunca tive e não tenho intenção alguma de me tornar uma monja ou uma freira, meu desejo é mais humilde. Quero ser uma pessoa melhor. Melhor para as pessoas que amo, melhor para mim.

Foi preciso sair de casa para entender que o Brasil era apenas uma casa, e não o meu lar.

Foi preciso vir a índia para entender que meu lar é aqui, e que o sobrenome Sharma não é um acaso, é a confirmação do destino. Um verdadeiro presente de Deus para nós.

Mas do que caminhar na luz, é preciso estar dentro dela. Por isso, caminhei de mãos dadas com ele em lugares escuros e doloridos, dentro dele, dentro de mim.

Há dias em que a iluminação se faz presente em ambos, há dias que um precisa ajudar iluminar o outro.

“Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”

Trecho do livro “O pequeno príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry.

Índia, Brasil, o mundo todo precisa de luz Só se é possível enxergar caminhos se acendermos esta lâmpada solitária dentro de nós. Iluminando primeiro a nós mesmos, para podermos enfim ajudar a iluminar os outros.

Há lama em todos os lugares deste mundo, dentro e fora de cada um de nós. Sejamos todos como uma flor de Lótus, sejamos nosso próprio templo. E mesmo que a lama seja sua casa, que ela esteja por perto ou que sua casa esteja flutuando no lodo, que sejamos intocáveis dentro dos nossos lares.

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Publicado por lailasharmabs

In search of light, inner peace!

8 comentários em “Distinguir-se

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